15 - Eu quero aprender o sentido do desapego

Tá, estar com uma pessoa te inspira as sensações mais leves do mundo, mas nem um casamento é capaz de manter vocês dois juntos. O que é que deixa de ser tão leve nesse meio tempo, entre o descobrimento desse zelo pelo outro e o fim de um relacionamento? Quanto tempo se tem para desapegar da pessoa sem parecer um bobo relapso e apaixonado?
Meses atrás, me disseram que a necessidade de ter uma pessoa por perto está necessariamente ligada a alguma carência emocional, e que o relacionamento sem amarras e contratos é justamente o exercício de controle emocional para evitar que isso aconteça. O dito 'relacionamento aberto' te ensina a driblar a fossa.
Claro que eu não caí nessa, e fiquei na fossa do mesmo jeito.
Eu interpreto isso de uma outra forma. Toda vez que me envolvo com alguém, por ser um contato tão íntimo, essa pessoa de certa forma penetra e dá forma ao vazio emocional que sinto, como se me jogasse na cara o que é que sinto que está faltando. E estar com essa pessoa faz com que eu sinta essa vazio preenchido, ainda que paliativamente; essa é a diferença entre um relacionamento saudável e um nem tanto assim...
Não existe 'amor desapegado', de alguma forma se está envolvido com aquela pessoa. E a carência emocional acho que serve para fazer você sentir que está mais envolvido do que realmente está; e às vezes calha de se conseguir o que quer, e ainda sim ter vontade de largar tudo. Acho que é esse o apego que o relacionamento aberto deseja abolir, pois não dá pra construir expectativas sobre o outro. Mas sei lá. Não é pra mim não.
Agora me diz, o que se faz com o apego quando ele não faz mais sentido? E o objeto do apego? Sinto que não dá nem tempo de resolver meu luto, que isso não é permitido. Tá, mas se o luto é proibido, terminar um relacionamento aberto é muito mais fácil; será por isso que todo mundo espera que nossos relacionamentos, mesmo que sem firmados os contratos, não tenham luto? Tudo deve ser necessariamente 'aberto'?
Me deixem em paz com meu luto e apego... eles rendem bom textos e boas memórias. E o melhor, um pouquinho mais de compaixão com a humanidade.

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