É um hábito deplorável de quem tem muito pouco a dizer.
Se a comunicação é rudimentar assim, talvez eu devesse passar a me expressar por metáforas, alegorias, ou pinturas rupestres mesmo. Deve ser interessante a tentativa de falar 'eu' por meio de desenhos... Mas acontece.
Será que existe algum narrador-personagem cuja estória não seja sobre ele, assim como nem todo eu-lírico é o seu autor? Tal como dizem que alguns narradores-observadores são a personificação enrustida do escritor, que tece a carapuça mais conveniente pra se expressar?
Acho que as coisas só começam a complicar realmente quando o 'eu' que vos fala não é 'eu', é outro. Porque já é difícil o suficiente adivinhar quando as pessoas mentem, que dirá identificar quem está dizendo o que. E aí sim, muito mais coisas serão introduzidas pelo egocêntrico pronome 'eu'.
Comunicar-se é um hábito deplorável. Mesmo sabendo que delimita muito o que a gente pensa, nos atemos apenas ao que nos é expresso de alguma forma, sem nos infiltrarmos além do código e da mensagem. Porque achamos que há coisas que não devem ser demonstradas e valorizamos muito o que somos capazes de formular. Qual o propósito de desenvolver tanto a comunicação, se não conseguimos retomar o simples e elementar? Comunicar-se é um egoísmo, ainda que não se use o 'eu' o tempo todo.
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