A existência de uma pessoa se torna vazia quando não tem ao que se dedicar. Aquela sensação infantil de que o mundo lhe serve de playground não pode durar muito tempo, porque mesmo que não tenha consciência disso, até a mais ingênua criança está em busca de algo ao qual expor anos de sua vida. A gente precisa disso, para que a noção de vida, tempo e existência não nos atinja a ponto de apavorar o mais sensato dos homens e desviá-lo de seu curso.
Eu acho que a gente passa a vida toda se dedicando a uma paixão, ou pelo menos procurando uma, e isso já é suficiente para preencher a sua alma de significado. Eu existo. Eu existo por um motivo. Logo, tenho o direito de continuar existindo.
Eu sinto falta disso, porque gostar de tudo é o mesmo que gostar de nada, e aquela coisa pela qual se poderia dar a vida passa despercebida. Ainda que se arrisque dentre uma das opções que lhe chama atenção, não é garantia de que é uma paixão duradoura. Às vezes a gente confunde sensações com sentimentos, e aquilo pelo qual você reorganizou sua vida para lhe dar espaço talvez pereça antes do fim. E a coisa em si, passa, ronda, ou até mesmo já passou despercebida pelos seus olhos. E nessa hora, dizer que se tentou não é consolo algum. É triste não ter esse ímpeto de se jogar, se dedicar, amar até a última gota; é triste não gostar de nada, ou de tudo. É o abismo da existência.
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